Dia Internacional da Mulher

Lugar de mulher é onde ela quiser

Trilha sonora: Falo – Carne Doce

“E eu ‘inda posso ser a backing vocal

E posso pagar pau

Enquanto você me diz pra me inspirar

Nos Mutantes e na Rita Lee.”

 

Dentre tantas datas importantes a serem lembradas, o dia internacional da mulher, celebrado no 8 de março, vem para enfatizar a luta dos direitos das mulheres pelo seu espaço na sociedade e, originalmente, pelo mercado de trabalho.

São pesquisadoras, cientistas, advogadas, jornalistas e, claro, musicistas que procuram se destacar em um mercado predominantemente masculino.

E nada mais justo do que lembrar alguns nomes importantes de musicistas que fizeram (e fazem) história na música brasileira.

Nos séculos XIX e XX, o cenário da música brasileira restringia a participação de mulheres como backing vocal ou intérpretes, compor era para homens.

A precursora e representante feminina neste meio foi Chiquinha Gonzaga, pianista, compositora e maestrina foi a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil.

O “Ó Abre Alas” de Chiquinha permitiu que outros nomes despontassem, como Dolores Duran e Inezita Barroso.

Ainda que a censura estivesse em cima dos músicos brasileiros, o movimento Tropicália (1967) surgiu e trouxe com ele várias vozes femininas que tomaram as rédeas em tempos difíceis.

Gal Costa, Maria Bethânia e Rita Lee, esta que passou por perrengues ao sair (saíram com ela, na verdade) dos Mutantes, mas que conseguiu decolar com suas composições na carreira solo em músicas que tornaram-se verdadeiros hinos femininos, como em Pagu, composição de Rita e Zelia Duncan, “Nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é bunda, meu peito não é de silicone, sou mais macho que muito homem”, a música é homenagem à Patrícia Galvão (Pagu), artista, ativista e símbolo do modernismo.

Mesmo nos dias atuais, ainda passamos pelas barreiras de uma sociedade predominantemente machista.

Contudo, mulheres vêm ganhando cada vez mais espaço na indústria da música – exemplos disso são os coletivos como a Sêla, o Festival Mostra Sonora (produzido por mulheres), o WME- Women’s Music Event Awards, dedicado exclusivamente às mulheres que estão envolvidas no mercado musical.

Nos lineups dos grandes festivais nacionais as mulheres têm presença garantida.

Nomes como Xênia França, Salma Jô, Iza, Anelis Assumpção, Anavitória, Tuyo, Mulamba são alguns dos destaques de 2018.

Falando em Mulamba, as meninas curitibanas decolaram com suas músicas que falam da luta diária das mulheres, como em “P.U.T.A” e com letras de protesto em “Mulamba”.

Felizmente, o tema está cada vez mais recorrente e na voz de tantas mulheres.

Salma Jô, da banda Carne Doce, soltou o verbo no disco intitulado “Princesa” (2016), com canções intensas em que a principal delas fala sobre aborto, e agora com “Tônus” (2018), neste, o corpo e a sexualidade feminina são retratados musical e visualmente.

“Mulher solta tua voz” nunca fez tanto sentido. É através dessas vozes que se transmite mensagens importantes, de mulher falando para mulher, com protestos em forma de canção e fazendo com que a música (sempre ela) seja esse canal de comunicação, com compartilhamento de ideias, de sentimentos, lutas e superação.

Quantas mulheres se sentem acolhidas quando cantamos o que (muitas vezes) não se fala dentro de casa?

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