Alberto Portugal fala dos planos para a Cultura de Ponta Grossa 

por Danilo Gabriel e Melissa Eichelbaun

Desde o dia 1º de janeiro deste ano a Fundação Municipal de Cultura de Ponta Grossa tem um novo presidente: Alberto Schramm Portugal. Com novos desafios e obstáculos por conta da pandemia, o presidente já fazia parte da equipe da Fundação nos dois últimos anos, cuidando da área de Patrimônio Cultural.

Portugal é bacharel em Artes Visuais, artista plástico, ator, diretor de teatro com mais de 80 textos escritos e dirigidos. Além disso, é membro da Academia Ponta-grossense de Letras e Artes. É arquiteto e urbanista e já foi Secretário de Turismo e de Planejamento na cidade de Tibagi.

A equipe da Fluencia Cultural entrevistou Alberto Portugal e você confere nessa série de reportagens quais são os planos e projetos da Fundação de Cultura para a classe artística de Ponta Grossa. 

FC: Quais são os principais projetos para a Cultura em Ponta Grossa em 2021? 

AP: Então, nós estamos trabalhando com um plano A, B e C. Nós vamos atravessar os três momentos: o pior momento, que é agora, a esperança do fim da pandemia quando chegar a vacina para pelo menos 50% da população e o pós pandemia. São esses três planos e dois deles já estão elaborados e apresentados. Vamos sair desse período com sede e fome de cultura. Temos um plano com 34 eventos, que será extremamente democrático e plural.

Nós queremos que a cultura seja por todos e para todos. Até pode gerar uma impressão que estamos desconsiderando a pandemia, mas trabalhamos com um planejamento de eventos, público, festivais e por isso temos essa programação. O primeiro plano é fazer tudo presencial quando for permitido, se não vamos para o online.

FC: Quais serão os editais deste ano e quando serão lançados?

AP: Os editais serão a principal forma de apoio e fomento para auxiliar os artistas. Nós estamos prevendo um edital de fomento, com uma característica emergencial. Nós teremos reuniões com o Conselho de Cultura e logo os editais devem ser lançados. São aproximadamente R$ 450 mil para atendermos todas as áreas dos artistas. 

FC: A Fundação de Cultura terá alguma mudança estrutural?

AP: Essa questão está nos nossos planos de reestruturação, que inclui obras, reformas e revitalizações. A Mansão Vila Hilda [atual sede da Fundação] pode ser transformada em um Museu da História da Cerveja. Estamos fazendo um estudo para a viabilidade disso.

E também estamos captando recursos para que a sede da Fundação de Cultura vá para um prédio de 3 mil m³. Seria um imóvel novo, onde teria o memorial de Ponta Grossa, pinacoteca, sala de exposições, museu interativo e a Casa da Memória.  Teria um custo de R$ 3 milhões. O recurso será 100% público e ainda está sendo viabilizado. Pretendemos concluir esse projeto até o final desta gestão.  Seria um espaço simples e democrático.

FC: Quais são as alternativas de trabalho no setor cultural para os artistas durante a pandemia?

AP: Não tenho uma fórmula pra isso. O que temos feito é estar em contato com outros gestores de cultura e o cenário é o mesmo em todos os lugares e estados. Todos os artistas estão amarrados por conta do cenário mundial. Eu tive mais de 150 reuniões desde o primeiro dia de gestão e escutei os protagonistas da cultura e são poucos que conseguem se reinventar e estão tentando segurar as pontas. Mas temos que ter otimismo. E o consumidor de cultura vai sair melhor também. 

FC: Quais serão as principais mudanças no setor da cultura pós pandemia?

AP: A primeira eu acredito que quando começou a pandemia tinha uma discussão medíocre que marginalizava a classe artística e tinha um viés muito político isso, sempre dizendo que ninguém precisa de artista. E a pandemia foi a maior prova que sem arte a gente estaria morto, o alimento da pandemia foi a arte. Ninguém consegue ficar sem uma série, um filme. Quem vive sem música e leitura? O conceito de cultura mudou muito e acredito que vamos sair disso com fome de liberdade e isso tem tudo a ver com a arte.

O plano que nós elaboramos quer mostrar isso, a função do artista quanto função social, nosso conceito é de arte mais humano e todo nosso planejamento vai passar por quatro eixos: primeiro formação de público. Ponta Grossa tem pouco público para o tanto de cultura que nós temos. Vamos buscar as pessoas, ressignificar a cultura e desmistificar as nossas áreas para deixar de lado aquele conceito que elas são elitistas. O segundo eixo é o fomento, com editais de apoio e oferecer suporte material. O terceiro será patrimônios culturais, que irá registrar, reconhecer, sensibilizar sobre a cultura. E o último é a pesquisa e educação cultural, que envolve o conservatório, capacitação, oficinas, além de entender o panorama da cultura. 

Queremos que as pessoas se sintam seguras para viver de cultura em Ponta Grossa. O censo mostra que temos uma porcentagem mínima que vive desse setor e precisamos fazer barulho. Consumir cultura tem que ser muito além de assistir bandas. A cultura tem que ser descentralizada.

Confira a segunda parte da entrevista com Alberto Portugal

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.