Manifesto Macegabeat

Surgiu o movimento! O Macegabeat! Macegabeat é o mato que se não cortar, da flor! Texto de Fernando Bertani Gomes e Mayã Campos, interpretado por Mayã Campos, durante a apresentação da Solana Dub no 10º Festival de Música de Ponta Grossa!

“A ponta, por mais que neguem, nunca foi fina Ela é grossa, ela é estúpida Por aqui já passaram várias, vários Xetás, Kaingangs e sumidos do Paraná-guarani. Peabiru foi caminho do Atlântico ao Peru. Caminho de encruzilhada tropeira.

No tempo do ferro polido, os trilhos eram locomovidos primeiro por suor depois a vapor.

Terra de euro-caboclas, afro- bugres, latino-ameríndios, malucos, malucas. Perdendo-se no conto da oligarquia esclerosada – vigários dos bons costumes de ninguém e da moral hipócrita.

Uma paisagem, senhoras e senhores, assombrada pela dominação de uma minoria mesquinha, afetivamente ignorante e refém de fantasmas histéricos.

E nós, meio tongas, meio tongos, consumimos os rejeitos culturais assistindo de longe o que pode e o que não pode ser feito.

Quando a cultura é intoxicada, o espetáculo é a violência. A rua bem asfaltada é tapete real para gente fina A rua esburacada é pra lembrar que tem gente acima E, aquela rua sem asfalto, aí já é pra ficar só com a rima. E nesse momento, te deixo nosso recado: toda rua, por menor que seja, tem Macega, tem trincado.

Macega é erva daninha que surge do nada. Erva brava que invade a commodity, solo exposto e a trinca da calçada. É o mato em seu primeiro estágio que prepara o chão pra mais mato e mais bicho.

Macega é capim malaco, que azeda a salada da grama da cidade, as florestas de uma árvore só.

Asfaltamento da expressão, verticalização da ganância, monocultura envenenada da mente, castração de ideias, sequestro de emoções – tudo, com o mesmo fim: Parasitar a criatividade alheia.

Pessoas economicamente ricas, exportam e impõem sua autopobreza e neurose. Apegadas ao valor das coisas, querem controlar a expressão de quem peleja.

A Macega é a pulsação da vida teimosa, força que vem de baixo. Do nada vem e não vem em vão.

Agora Macega, não é jardinagem, verde falso, ornamental. Macega, definitivamente não é pasto, até porque aqui, ninguém é gado!

Macega é diversidade, que na cidade cinza de bancadas sujas, se agarra ao solo firme e pulsa, vibra.

Macega é o sangue, a sanga

O vértice entre a vida e a morte

O sangue diário que nos é arrancado

O sangue mensal que nos é lembrete: morremos para logo renascer

Macega é o mato que se não cortar gira mundo, gira muito

E se, em alguns instantes você ficar em silêncio, talvez seja possível escutar canções dizendo: Macega é o beat, é o pulso, erva brava, cipó malandro, ronco do bugio, xaxim-valente, bugrero vermelho e branco, são os pelos e cabelos de Pachamama. Macegabeat é o mato que se não cortar da flor!”